27/11/09

Videos bons pra cachorro

Navegando por este depósito de conteúdo que é a internet, deparei-me com um interessante blog: Cão Uivador. É um blog de textos críticos sobre a realidade que, assim como esta homepage, abandona completamente qualquer tipo de imparcialidade quando se trata de falar do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense (falando nisso, clique aqui para ler um excelente “texto-apelo” para que a diretoria gremista pare de inventar moda e efetive o interino Marcelo Rospide no cargo de técnico....os caras já tão falando até em Nelsinho Batista).

Mas o motivo pelo qual comentei sobre o blog do uivador não é destacar seus textos e sim recomendar uma seleção de vídeos denominada TV Cão. Boa iniciativa, tem documentários bem interessantes ali. Clique aqui para acessar a tv canina.

25/11/09

23/11/09

En Cuba, la calle sigue siendo de los revolucionarios


Marido da blogueira Yoani Sanchez é agredido por seguidores de Fidel Castro e da Revolução Cubana e tem que ser socorrido pela polícia. Pelo visto a conversa de que o povo cubano inteiro quer a queda dos irmãos Castro não passa de mais uma notícia dada pela metade. Como sempre, o lado que não interessa, não é mostrado.


Um tapinha não dói ?

Texto escrito por Luciana Brito, mestre em História pela Unicamp e integrante do Movimento Negro Unificado-Bahia

Helena negra posta no "seu lugar"
Os dias de glamour da primeira Helena negra foram poucos. No capítulo de ontem, numa cena que fazia uma alusão direta à noção de soberania branca, a personagem negra se ajoelha aos pés da mulher branca e pede perdão.
Após isso, dotada de toda autoridade, a "mãe branca e zelosa" dirige um violento tapa na cara na personagem negra que resignadamente aceita a punição.
A cena chocou diversas pessoas. No caso particular das mulheres negras, todas se recusaram a
se reconhecer daquela forma e se revoltam contra aquela atitude submissa e passiva diante da violência racial.
Aquela cena teve uma repercussão desastrosa em cada uma de nós. A postura submissa da
Helena negra vai contra a forma como hoje, e sempre, reagimos à violência racial e ao autoritarismo, seja pelo amparo da lei, seja impondo respeito diante daquele ou daquela que insiste em rememorar os tempos da escravidão, cobrando de nós o eterno deferimento e
subserviência.
Assim, a trama da novela vai contra a política e debates atuais que visam a igualdade de direitos e a postura autônoma que praticamos no nosso cotidiano e ensinamos a nossas jovens e crianças negras.
A cena de ontem também vai contra os argumentos daqueles que se negam a admitir a existência do racismo no Brasil, que se afirma no imaginário do autor. O capítulo de ontem, por si só, fala da insistente crueldade da elite brasileira de negar o problema do racismo ao mesmo tempo em que, de maneira nefasta, não abre mão de se manter numa posição privilegiada. A Helena negra é culpada por ter abortado, por ter casado com um homem branco e por não ter "cuidado" devidamente da enteada, numa relação que muito nos lembra mucama e sinhazinha.
Não só Helena, mas também a personagem da atriz Sheron Menezes tem a mesmo postura
submissa, que paga (literalmente) um alto preço para estar com um homem branco. Ambas sucumbem diante da supremacia branca retratada na televisão brasileira, ambas não tem dignidade e não representam a luta cotidiana dos homens e mulheres negras que diariamente enfrentam o racismo neste país.
Ao que me parece, é muito difícil para a dramaturgia brasileira esconder este ranço ordinário da mentalidade escravocrata e racista.

Links para o início da semana

A chuva realmente castigou o Rio Grande do Sul

Seleção de charges sobre Sarney e PMDB

22/11/09

Torcida do Figueira sente o drama


O último jogo do brasileirão(B) 2009 não vai significar nada para o time do Figueirense. Não existe mais objetivo a ser alcançado, o sonho do acesso terminou de forma melancólica.
Os torcedores compareceram ao estádio acreditando na força do furacão do estreito. Mas a coisa foi feia, muito feia. A energia da arquibancada não contagiou os apaticos atletas. Para completar a tragédia, no Rio Grande do Sul o Juventude levava um banho de bola do Atletico Goianense.
Os fanaticos torcedores alvinegros, que por alguns anos sorriram na Série A vendo o Avaí patinar na Série B, agora sentem o gosto amargo da situação se invertendo. Cabe aos diretores do clube planejar um 2010 com mais cuidado, buscando jogadores com perfil de vencedores, com vergonha na cara e com raça. Atletas que entendam que, durante 90 minutos, eles têm que dar a vida por uma vitória.

20/11/09

Consciência Negra . . .

Assim fica fácil...


19/11/09

Tijoladas na árvore de natal da Ilha

Vi lá no blog do Canga que o Mosquito está atuando em outro estilo de mídia. Agora o polêmico blogueiro não faz uso apenas da escrita, mas também do vídeo, provando que não tem medo de mostrar a cara.
Como as denuncias são graves, e merecem apuração inclusive por parte da imprensa que domina o mercado da comunicação em Santa Catarina, disponibilizo o vídeo aqui no blog:

17/11/09

Gansos e patês

Autor: Rubem Alves

Uma amiga tem ideias curiosas sobre as escolas. Vivendo em uma cidade do interior, viu-se diante da encruzilhada difícil: “Qual a melhor escola para meu filho?” Pôs-se a campo visitando as tidas como as melhores. A cena se repetia. O diretor ou diretora se encontrava com a perspectiva de uma matrícula a mais. Fazia seus melhores esforços para convencer a mãe. Mostrava-lhes salas, laboratórios, quadras de esportes. Terminada a excursão, minha amiga tinha duas perguntas a fazer.

“-O senhor sabe, nosso mundo é competitivo, há o vestibular no horizonte, o mercado de trabalho, e eu gostaria de saber como é que sua escola lida com esses problemas...”
O diretor, seguro de sua filosofia de educação, respondia:

“-Essa é nossa grande preocupação. Precisamos preparar as crianças para o futuro. Assim, nossos professores são orientados no sentido de apertá-las ao máximo para que sejam vencedoras. Quanto a isso a senhora pode estar tranqüila.”

Aí ela continuava:
“-Sua resposta me esclareceu muito. Mas há uma última pergunta que quero fazer. As crianças passam apenas um período na escola. No outro período elas ficam com o tempo livre. O que fazer com esse tempo?”

Respondia o diretor: “-A resposta a essa pergunta já está implícita no que eu lhe disse. Não permitimos que as crianças tenham esse tempo ocioso. Damos tanta lição de casa que elas têm de trabalhar o dia inteiro...”
Aí a minha amiga concluía:

“-Sabe, senhor diretor, eu acho que a infância é um tempo tão bonito que é triste apertar as crianças em nome de um futuro hipotético. As crianças não podem viver hoje em função do amanhã. A vida delas é no hoje. Se elas forem ‘apertadas’, vão acabar por odiar a escola e o aprender. Além do que, as crianças devem ter num tempo livre para viver suas próprias fantasias, para brincar. Se elas tiverem todo o seu tempo tomado por deveres de casa perderão a alegria...”

E com essas palavras despedia-se do diretor perplexo.

Ela peregrinou de escola em escola e era sempre a mesma coisa. Até que chegou a uma periferia, condições físicas precárias, diretor esquisito. Perguntado sobre sua filosofia de educação, ele respondeu:

“-Acho que a coisa mais importante para as crianças nessa fase é que elas aprendam a se comunicar. Que aprendam a amar os livros. Que gostem de escrever. Uma criança que ama os livros tem o mundo aberto a sua frente...”

Minha amiga matriculou o seu filho nessa escola e ainda fez propaganda.
É preciso reconhecer que essa amiga anda na direção contrária. A maioria dos pais caminha na outra direção. Querem escolas fortes, que apertem, que preparem seus filhos para o vestibular, que encham o tempo dos alunos com um mundo de lições. Eles não estão interessados na educação dos seus filhos. Talvez nem saibam o que isto seja.

Vi, na antiga revista Life, a foto de um ganso sendo engordado para que seu fígado ficasse dilatado, próprio para ser transformado em patê. O cuidador do ganso segurava sua cabeça apontando para cima, um funil enfiado em seu bico, por onde a comida era enfiada, à força. Terminada a operação, para evitar que ele vomitasse a comida que ele não queria comer, seu pescoço era amarrado. Essa imagem dispensa explicações. Quem é o ganso? Quem é aquele que segura a cabeça do ganso? Quem é aquele que lhe enfia a comida goela abaixo? E o patê? Quem vai comer o patê? De uma coisa eu sei. Não será o ganso...

12/11/09

"Se conseguirem que você faça as perguntas erradas, eles não têm de preocupar-se com as respostas."

Thomas Pynchon

Mais uma aposta errada da diretoria gremista


No primeiro semestre de 2009, quando o Grêmio tentava, insistentemente, trazer o técnico Paulo Autuori para Porto Alegre a negociação foi complicadíssima. Mesmo depois que as conversas evoluíram, e o acordo se concretizou, o treinador, alegando ética contratual com os árabes, demorou 40 dias para se apresentar no Estádio Olímpico. Isto em meio a uma Libertadores da América

Agora, os mesmos árabes demonstraram interesse em levar Autuori de volta. Abanaram com os dólares e o treinador gremista, que chegou falando em trabalho a longo prazo (no mínimo até o final de 2010), colocou no lixo toda ética outrora apresentada e preparou suas malas. Os sheiks não precisarão esperar 40 dias, o treinador está deixando o time gaúcho.

O fato de Paulo Autuori aceitar a milionária oferta estrangeira não surpreende ninguém. O futebol é um negócio, e é assim que funcionam os negócios. Além do mais, seu trabalho no Grêmio não estava agradando muitos torcedores. A tradição gremista, de futebol forte, marcação dura, estava sendo deixada de lado pelo treinador carioca. Ele tem suas convicções e parece acreditar mais nelas do que em qualquer outra coisa.

O que realmente merece destaque nesta história toda é, mais uma vez, a direção gremista. É impressionante como o time está nas mãos de péssimos administradores. É uma sucessão de erros de causar inveja até aos destrambelhados times do Rio de Janeiro. O Sr. Duda Kroeff, atual presidente do Grêmio, ignorou os apelos dos torcedores em 100% das decisões ligadas a contratações, tanto do técnico quanto de uma série de jogadores (que antes de assinarem com outros clubes demonstraram interesse em atuar no tricolor do sul do país).

Claro que os clubes de futebol não são uma democracia onde os torcedores podem sugerir contratações por meio do voto. Até porque é difícil que uma torcida seja unânime na avaliação do que é melhor ou pior para a equipe. Realmente cabe a diretoria assumir estes riscos.
O problema é que no caso em questão, houve unanimidade e forte apelo dos torcedores para que várias situações fossem conduzidas de forma diferente. Desnecessário citar exemplos, quem conhece futebol, e principalmente os gremistas, sabem bem do que eu estou falando. Os adversários se divertem, pois sabem que com uma diretoria incompetente não tem time que incomode muito nos campeonatos que disputa.

10/11/09

Os outros muros

Os noticiários não param de homenagear a queda do Muro de Berlim. Deixam de lado até o inútil assunto das vestes da loira universitária para se esforçar em fazer um jornalismo sério, profissional sobre a importância do fim da influência comunista no mundo.

Parabéns pelas reportagens. Aproveitando que é consenso a idéia de que é um absurdo a construção de muros, por parte do Estado, com o intuito de dividir a população, estes mesmos meios de comunicação poderiam utilizar semelhante esforço jornalístico para tentar explicar à população o porquê dos muros levantados em favelas cariocas (e em outras favelas brasileiras).

Sim, eu sei, não tem nada a ver uma coisa com a outra. Mas será mesmo que se faz necessária a construção de muros? Será esta a melhor solução para conter a crescente miséria? Ou será que estes jornais, que tão bem explicam o período histórico da derrocada comunista, não tocam no assunto nacional para não ter que questionar todo o sistema de segurança pública ? Chegando à óbvia conclusão que o planejamento é absurdamente mal elaborado e, pior, é preconceituoso e injusto.

08/11/09

Não ganha nada


Ultimamente tenho conversado com alguns "comentaristas de boteco" que insistem em colocar o Atletico MG como um dos favoritos ao título do Brasileirão. Eu digo, repito e aposto: time treinado por Celso Roth não ganha campeonato importante. Não tem jeito.

A janela aberta

AUTOR: Saki(H. H. Munro)

"Minha tia já irá descer, Sr. Nuttel", disse uma jovem dama, de cerca de quinze anos, muito segura de si; "neste meio tempo, o senhor terá que fazer o possível para me suportar".
Framton Nuttel esforçava-se em achar algo para falar que pudesse lisonjear tanto a sobrinha que lhe fazia sala quanto a tia que estava por chegar. Internamente, ele se perguntava se essa série de visitas formais a pessoas totalmente desconhecidas poderiam ser de alguma forma úteis para a cura de seu problema de nervos.
"Eu sei o que vai acontecer", havia dito sua irmã quando ele se preparava para partir para o campo; "você se enfurnará tão logo chegue e não falará com ninguém, e seu estado de nervos ficará pior do que nunca, devido à depressão. Por precaução, eu vou lhe entregar cartas de recomendação para todas as pessoas que eu conheci lá. Algumas, pelo que eu me recordo, eram bastante simpáticas."
Framton perguntava-se se a Sra. Sappleton, a dama a quem iria entregar uma das tais cartas de recomendação, era uma das pessoas simpáticas.
"Conhece muita gente aqui?", perguntou a sobrinha, julgando que estavam em silêncio há um tempo considerável.
"Praticamente ninguém", respondeu Framton. "Minha irmã esteve aqui, na reitoria, você sabe, há cerca de quatro anos atrás, e me entregou cartas de recomendação para algumas das pessoas do lugar."
Ele disse a última sentença em um tom que demonstrava pesar.
"Então o senhor não sabe praticamente nada sobre a minha tia?", continuou a segura senhorita.
"Somente o seu nome e endereço", admitiu o visitante.
Ele se perguntava se a Sra. Sappleton seria casada ou viúva. Alguma coisa no ambiente sugeria a primeira alternativa.
"A grande tragédia na vida de minha tia ocorreu há uns três anos", disse a menina; “quer dizer, depois que a irmã do senhor foi embora."
"Uma tragédia?", perguntou Framton; de alguma forma, neste pacífico recanto as tragédias pareciam algo fora de lugar.
"O senhor deve ter se perguntado por que motivo deixamos aquela janela escancarada em uma tarde de outubro", disse a sobrinha, apontando para uma larga janela que dava para um jardim.
"Faz bastante calor nesta época do ano", disse Framton; "mas o que a janela tem a ver com a tragédia de sua tia?"
"Por essa janela, há exatamente três anos, que o marido de minha tia e seus dois irmãos menores saíram, para a caçada do dia. Nunca mais regressaram. Ao atravessarem o brejo que conduzia ao seu local preferido de caça, afundaram em um trecho traiçoeiro do pântano. Foi durante um verão terrivelmente chuvoso, você sabe, e os terrenos que antes eram firmes cediam sem que houvesse maneira de escapar. Seus corpos jamais foram encontrados. Essa é a pior parte da história."
Nesse momento, a garota perdeu o tom seguro de sua voz e tornou-se vacilantemente humana.
"Minha pobre tia ainda acredita que eles voltarão algum dia, eles e o pequeno sabujo marrom que os acompanhava, e que entrarão por aquela janela como costumavam fazê-lo. Eis por quê a janela é mantida sempre aberta até que caia a noite. Pobre e querida tia, vive me contando o modo como eles saíram, seu marido com seu impermeável branco no braço, e Ronnie, seu irmão caçula, cantando "Bertie, por que pulas?", sempre a provocando, pois sabia que essa canção a irritava. Sabe, às vezes, em tardes tranqüilas como a de hoje, eu tenho uma sensação apavorante de que eles todos entrarão por aquela janela".
A garota teve um leve estremecimento. Foi um alívio para Framton quando a tia irrompeu na sala, pedindo desculpas pela demora.
"Espero que Vera tenha lhe entretido", disse.
"Ela me contou coisas bem interessantes", respondeu Framton.
"Espero que não se importe com a janela aberta", disse a Sra. Sappleton, "meu marido e meus cunhados estão caçando e sempre entram por essa janela. Hoje foram caçar narcejas e não quero nem imaginar o estado em que vão deixar o pobre carpete. Vocês, homens, são todos assim, não?"
Ela continuou a tagarelar alegremente sobre a caça, a escassez de aves e as chances de haver patos no inverno. Para Framton, tudo era simplesmente horrível. Ele fez um esforço desesperado para levar a conversar para um tema menos repulsivo; mas estava consciente de que sua anfitriã lhe dedicava apenas uma parte de sua atenção, desviando constantemente o olhar em direção à janela aberta e ao jardim. Foi certamente uma infeliz coincidência o fato de sua visita acontecer justamente em tão trágico aniversário.
"Os médicos foram unânimes em me recomendarem total repouso, bem como em me proibirem qualquer excitação mental e exercícios físicos violentos", anunciou Framton, que, como muitos, acreditava erroneamente que estranhos totais e relações casuais estivessem ávidos por saber os mais ínfimos detalhes de nossas enfermidades, a causa e a cura. "Só quanto à dieta é que eles não estão de acordo", ele continuou.
"Não?", disse a Sra. Sappleton, numa voz que simplesmente substituía um bocejo momentâneo. Subitamente, sua expressão revelou uma atenção vívida — mas não para as palavras de Framton.
"Finalmente chegaram!", gritou. "Bem a tempo para o chá, e não é que estão sujos de lama até os olhos!"
Framton estremeceu levemente e voltou-se para a sobrinha, com um olhar com o qual pretendia demonstrar sua condoída compreensão. A garota tinha os olhos fixos na janela aberta, com um brilho de horror no olhar. Tomado de um temor desconhecido que gelava suas veias, Framton virou-se no assento e olhou na mesma direção.
No escuro crepúsculo, três vultos atravessavam o jardim em direção à janela; todos carregavam armas embaixo do braço, e um deles levava um impermeável branco por sobre os ombros. Um sabujo marrom, cansado, os acompanhava.
Silenciosamente eles se aproximaram da casa, e logo ouviu-se uma voz jovem e rouca que cantava: "Bertie, por que pulas?"
Framton agarrou apressadamente seu chapéu e sua bengala; a porta do vestíbulo, o passeio de cascalho e o portão foram etapas quase não notadas de sua precipitada retirada. Um ciclista que passava pelo caminha foi obrigado a desviar para evitar um choque iminente.
"Chegamos, querida", disse o que carregava um impermeável branco, entrando pela janela; “bastante sujos, mas quase secos. Mas quem era esse homem que saiu correndo assim que surgimos?".
"Um homem esquisitíssimo, um tal Senhor Nuttel", disse a Sra. Sappleton; "só falava de sua doença, e foi embora em disparada, sem nem se despedir ou se desculpar, assim que vocês chegaram. Parece até que ele viu um fantasma."
"Eu acho que foi o sabujo", disse tranqüilamente a sobrinha; "ele me contou que tinha horror a cachorros. Uma vez ele foi perseguido por uma matilha de cães em um cemitério próximo ao Ganges e teve que passar a noite em uma cova recém cavada com os animais grunhindo e rosnando e espumando bem acima dele. O suficiente para qualquer um ficar com os nervos abalados."
A garota era especialista em criar histórias imediatas.

Saki é o pseudônimo do britânico Hector Hugh Munro (1870-1916), considerado por Graham Greene como o melhor humorista inglês do século vinte. Munro retirou o nome Saki de um verso de Omar Khayyam, após ler o Rubayat. Seu forte eram histórias curtas de finais surpreendentes, um pouco à moda de Guy de Maupassant e O.Henry. Após a morte de sua mãe, Saki foi criado por duas tias rabugentas e antipáticas, que não lhe proporcionaram uma infância feliz, razão pela qual algumas de suas histórias tratam da crueldade da qual as crianças são capazes, caso de “A janela aberta". Obrasdo autor Reginald (1904), The Chronicles of Clovis (1911), Beasts and Super-Beasts (1914), entre outros além de duas novellas: The Unbearable Bassington (1912) and When William Came (1914). Munro morreu na França durante a Primeira Guerra Mundial.