
Mais um Big Brother começando. Não sou daqueles caras que se revoltam com quem assiste a este tipo de programa: livre escolha, cada um assiste o que julga válido. Até admito que nas duas primeiras edições dei uma espiada no entretenimento. Uma porcaria, na minha opinião.
Porém, não penso que a TV deva educar as pessoas. Se assim fosse, contratariam professores ao invés de atores. A TV sempre foi e sempre será apenas um passatempo, uma telinha que permite a cada um escolher quanto tempo quer deixar ligada e qual programação deseja assistir.
Existe um senso comum de jogar nas costas da televisão a culpa por uma espécie de “decadência moral” que toma conta da sociedade. Papo furado, hipocrisia. Os atuais problemas são muito mais políticos do que por culpa da grade de programação de qualquer canal de TV, seja ela a mais idiota e fútil possível. E quando falo de política não estou falando só dos homens que estão no poder. Me refiro também aos homens que estão circulando pelas calçadas, indo pro trabalho, totalmente alienados politicamente.
Cito o exemplo recente de Brasília, quando o Brasil inteiro tomou conhecimento daquelas imagens nojentas de homens colocando dinheiro até dentro das meias para não serem flagrados em suas roubalheiras. Poucos dias depois ocorreu uma manifestação popular. Milagrosamente até a grande mídia apoiou as manifestações, afirmando, por meio de seus comentaristas, que as imagens envolvendo o Governador Arruda e aliados eram tão repugnantes que uma reação da sociedade era simplesmente inevitável. Cerca de uma semana depois, noticias que lembravam a Ditadura Militar: manifestantes desarmados tomando cacetada de “homens da lei” do alto de seus cavalos. A justificativa policial? Os manifestantes quebraram o acordo de não invadir a pista onde circulam os carros. Quando a manifestação pacifica passou a interferir na ida das pessoas para seus respectivos trabalhos, “o coro comeu”.
Os policiais agiram errado? Não ! Agiram certo. Defenderam o direito da maioria alienada. Na Ditadura também foi assim. Quem botava a cara pra bater tinha grandes chances de se ferrar, mas os que resumiam suas reclamações a mesa de jantar com a família não se metiam em maiores problemas. Sem contar aqueles que sequer reclamavam e, ao melhor estilo Luiz Carlos Prates, adoravam o serviço dos militares. Recentemente, em Brasília, os policias baixaram o sarrafo nos “agitadores” por que tinha gente querendo ir para o trabalho, gente que buzinava para os manifestantes saírem da frente, gente que estava achando um saco ter que ficar parada no sol enquanto um bando de “baderneiros” protestava nas ruas. Para estes, a chegada da policia foi um bálsamo. Foi lindo ver a gurizada apanhando e dispersando rapidinho. À noite, em casa, assistindo ao Jornal Nacional, estes mesmos trabalhadores que não podiam se atrasar uma horinha sequer para o emprego, vendo mais um escândalo da política, resmungaram, entre uma garfada e outra, que a classe política não presta e “ninguém” faz nada.
Por estas e outras que eu repito. Gostar de Big Brother é o menor dos problemas. Isto é só a ponta do Iceberg que dá uma pequena amostra de qual o tipo de programa que entretém grande parte da alienada população brasileira. Culpar a TV? De forma alguma. Eles estão fazendo, e muito bem feito, o trabalho deles, fabricando dinheiro e transformando as pessoas em produtos, para gerar mais e mais dinheiro até onde for possível.
Lembrei agora de uma mulher com quem trabalhei num passado recente. Frequentemente lhe sobrava um farto tempo no serviço. Ela utilizava o tempo livre para, muito compenetrada na frente do computador, jogar paciência. Tudo bem, não vou reclamar de quem gosta de jogar o tão popular “Paciência”. O problema é que, volta e meia, esta mesma mulher, que eu nunca tinha visto sequer lendo uma notícia de jornal, se revoltava que as pessoas não gostavam de ler. “Ninguém lê”, dizia ela, “este é o problema do Brasil”, complementava cheia de autoridade. Certa vez resolvi dar uma provocada e perguntei por que eu nunca a via lendo um livro. Quase indignada ela me respondeu que não tinha tempo para leitura. Não aguentei e lasquei: “se tu perdesse lendo um livro o tempo que perdes jogando paciência, já terias lido todos os clássicos da literatura mundial”.
2 comentários:
Olá, "Carmelito". Eta, língua afiada!Concordo contigo. No entanto, considero a TV, entre outras coisas, como um veículo voltado ao lazer. Não podemos esquecer que a maioria da população brasileira não tem acesso ao cinema,ao teatro, aos livros etc etc etc....
"Do alto dos meus cinqüenta e tantos anos", uma pseudo intelectual, com curso superior, experiência profissional, muitos erros e alguns acertos, te confesso: tem dia em que me encontro tão cansada, física e emocionalmente, que a única vontade que me resta é deitar em frente à TV e não pensar em absolutamente nada. Me divirto com programas e até telejornais tão idiotas...Fico alí, alienada!
Me pego rindo não sei do que, ou sei! Até do Big Brother! Por alguns momentos sou feliz, mesmo em meio a tanta mediocridade.
Nessas horas, não penso nem nos "meus pequenos e eventuais" vícios.
Adormeço e acordo com a TV ligada. Coisa de louco, não? Há uns anos eu adormecia com um livro sobre o colo. Hoje, chego tão sem energia em casa, meus olhos não enxergam mais como antigamente e os óculos (à noite)não são suficientes.
Bom...viajei um pouquinho, mas só gostaria que ficasse bem claro: cada um se diverte como pode. Até no trabalho (para quem tem tempo), mas...falando sério: jogar paciência? Tenha a Santa Paciência, meu amigo!
Beijos
Madre Suely
O Big Brother é o mel do presente e o pai do futuro, não há mais discussão.
A revolução não será televisionada, alguém disse. Bosta de boi.
Jerônimo
obs: teus textos melhoraram muito, parabéns.
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